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Yoga: além do visível

A sala cheirava bem. O ambiente exalava paz. Tudo era tão confortável, tão silencioso, tão agradável. Era verão de 2006, fui para uma aula experimental de yoga junto a uma amiga que era minha vizinha. O professor tinha uma postura incrível e um tom de voz suave. Lembro que neste dia aprendi a respirar - se bem que isso eu achava que já sabia. Porém, pude conhecer a respiração de maneira mais particular e saber que podia dominá-la.


Essa foi minha primeira impressão sobre uma aula de Yoga. Desde então, nunca mais perdi o contato com esse conhecimento milenar.


Yoga, para mim, era ouvir músicas de vibração calmante, estar num ambiente com luz tênue e cheiros agradáveis, onde tudo exala paz. Ao mesmo tempo, era o meu momento de alongar o corpo, sentir a respiração, pensar menos e dormir em Savasana. Essa ideia e esse conceito me faziam muito bem, e ainda, me fazem. Mas era sair daquele ambiente e a realidade do meu mundo me abraçava de volta.


Yoga é união de corpo, mente e espírito. Significa que através da consciência da respiração chegamos nesse caminho de união. Significa integrar seus sentidos, para poder abstraí-los e conectar com sua própria essência de paz e amor.


Nem sempre Yoga significou isso para mim. Na prática significava competição - quem consegue chegar mais longe no alongamento. Eu, com apenas 16 anos, e com hiperlaxidez por várias articulações, chegava fácil na grande maioria das posturas e me orgulhava disso. Era um local onde eu sentia paz e me exibia.


Somente quando chegou o momento consciente em buscar um equilíbrio saudável ao viver com agorafobia, foi possível entender e sentir o que era Yoga.


O autoconhecimento proporciona um novo olhar a essa realidade individual que cada um vive. O Yoga proporciona isso, para aqueles que estão com coração aberto a se conhecer.


Quando na filosofia dizem que Yoga é união, estão querendo afirmar que vivemos desconectados de nós mesmos. Que nosso corpo se move de um jeito, tentando expressar o que a mente está sentindo, porém nos perdemos do vínculo com o corpo, quando a mente nos prende na obsessão pelo passado, na angústia do futuro, na vontade de viver o irreal e a total desconcentração de atividades - até mesmo rotineiras. Isso quer dizer que somos e estamos insatisfeitos, que temos medo de viver e sentir o momento, porquê isso levaria a interiorização e aceitação do momento presente.


Yoga não é competição, não é lugar de exibição, não é exaltação do ego, não é alcançar o pé com as mãos, não é fazer parecer bonito, não é contar a respiração, não é ser sério e repetir 108 saudações ao Sol. Yoga é contemplação, é consciência, é satisfação, é autoconhecimento, é despertar os sentidos, é abstrair os sentidos, é estar num caminho em que a gratidão é o motor dessa máquina - chamado corpo humano.


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